Bailarinas

IVI PIZZOTT FESTEJA ‘DANÇA DOS FAMOSOS’

Ivi Pizzott é bailarina do Domingão do Faustão há três anos e agora, se prepara para uma nova empreitada: ensinar passos de dança para Flávio Canto, seu par no quadro “Dança dos famosos”. “Rola uma super expectativa, já fui professora do Klebber Toledo e foi a experiência mais incrível da minha vida. Você vivencia a dança de segunda a segunda. É uma responsabilidade muito grande, mas muito boa. Muito bom se fazer o que gosta”, disse ela.

Ivi Pizzott (Foto: Iwi Onodera / EGO)

Na entrevista, a bailarina falou das suas origens humildes – ela nasceu e foi criada no Jardim Catarina, uma comunidade de São Gonçalo, município do Rio -, da relação com Fausto Silva e do preconceito que enfrenta diariamente por ser negra.

Ivi tem curtido a solteirice e se adapatado a São Paulo, cidade para onde se mudou há dois meses, desde que o programa dominical passou a ser transmitido somente da capital paulista. “As pessoas estão me acolhendo muito bem. Mas ainda não me acostumei. O clima e o estilo e vida aqui são muito diferentes. São Paulo é muita correria!”, compara ela, que ensaia com as demais bailarinas às quintas e sextas, mas também fica disponível aos sábados para gravar vinhetas para o programa.

Ivi Pizzott (Foto: Iwi Onodera / EGO)

“Um homem me viu e tirou o relógio”
Ivi comemora a presença de bailarinas negras que se candidataram para o balé do Faustão “Gostei muito delas e achei muito bom que tenha negras, agora somos cinco. Nunca tivemos tantas. Uma das bandeiras que eu levantei quando posei para a ‘Playboy’ é que devemos estar nas revistas, na TV, em todos os segmentos. Somos a maioria”, diz ela.

Engajada na causa, Ivi conta que já sofreu preconceito por ser negra. “Tem aquele tipo direto e o indireto. Às vezes é um olhar, um atendimento diferente numa loja, um segurança que te segue… Isso acontece direto. Sou despojada, não me arrumo muito para ir a shopping. Várias vezes fiz compras com seguranças na cola, me seguindo. Já sofri muito preconceito”, lamenta. “E tem o tipo de preconceito escancarado. Teve uma vez que um senhor desceu do elevador quando entrei – ele não quis ficar no mesmo ambiente que eu. Outra vez eu estava em um ônibus na época que trabalhava como contadora. Um homem me viu e tirou o relógio”, conta ela, que acha hipocrisia dizer que não há preconceito no Brasil.

“Nós negros passamos por situações assim todos os dias. É muita ignorância e hipocrisia achar que não há racismo no Brasil. Eu tenho acesso a ambientes mais elitizados. Quantas vezes chego ao local e só tem negros como funcionários da limpeza? Eu me sinto mal da mesma maneira”, desabafa. “Quero lutar para dar exemplo, sei que sou referência para muitas meninas. Quero lutar não só pelo meu espaço, mas pelo espaço da mulher negra. Acho que na TV o espaço está aumentando, mas não pode ser uma moda, tem de ter sempre e por mérito e talento”, diz ela, que é contra cotas raciais nas universidades públicas brasileiras.

Ivi Pizzott (Foto: Iwi Onodera / EGO)

“Sou contra. A cota é um paliativo, né? A situação é péssima. Quando a educação for boa, não será mais necessário esse tipo de coisa. Sou a favor de educação básica de qualidade. A maioria dos negros é pobre, então eles não têm o mesmo acesso à educação de qualidade”, opina.

Formada em universidade pública
Apesar da infância simples no Jardim Catarina, uma comunidade de São Gonçalo, Ivi tem boas lembranças do período. “Não tinha asfalto, nem saneamento, o esgoto era a céu aberto. Não tenho problema nenhum em falar sobre isso. Acho muito forte falar em ‘vencer na vida’, mas já conquistei muitas coisas. Brincava muito na rua, tenho marcas nas pernas até hoje. Não troco minha infância de criança solta por essas de hoje que ficam no computador. Os valores que meu pai me passou foram relacionados a caráter, honestidade, respeito ao próximo, de tentar se colocar no lugar do outro, aceitar as diferenças”, enumera.

Ivi se orgulha ainda ao contar que estudou a vida toda em colégio público e que que passou no vestibular da UFF, a Universidade Federal Fluminenese, onde se formou em Ciências Contábeis. “Me formei aos 22 anos porque tranquei o curso quando estava em dúvida sobre a carreira a seguir. Eu me orgulho muito de ter feito universidade pública. Eu era CDF. Na escola pulei duas séries porque estava muito adiantada em relação aos colegas”, conta.

Ivi Pizzott (Foto: Iwi Onodera / EGO)

Ivi Pizzott (Foto: Iwi Onodera / EGO)

Ivi Pizzott (Foto: Iwi Onodera / EGO)Ivi Pizzott (Foto: Iwi Onodera / EGO)






















Bárbara Vieira
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